Retomada/Brasil começou; processo será sustentado e forte
Por Luciana Xavier e Denise Abarca
A percepção de que os Estados Unidos começaram a se recuperar deve em breve se mostrar falsa. Por outro lado, a expectativa de retomada da economia brasileira deve se provar logo verdadeira, conforme avaliação do economista e estrategista de investimentos Ricardo Amorim, presidente da Ricam Consultoria, em São Paulo. "Há sinais de que a recuperação começou em março. Começamos um processo que será sustentado, longo e forte", garante.
Segundo ele, em breve as bolsas dos Estados Unidos e Europa sofrerão ajuste ao se darem conta de que a crise nessas regiões é séria e será "longa". "Estamos perto de ver ajuste de preços nas bolsas dos EUA e Europa e a bolsa aqui será temporariamente afetada. As expectativas de recuperação sustentada da economia americana vão se provar falsas", afirmou o economista ao AE Broadcast Ao Vivo.
Para Amorim, a crise no Brasil será "curta e menos severa" e mesmo com alguns ajustes na bolsa, os investidores deverão enxergar boas oportunidades de compras no mercado de ações brasileiro.
O Brasil e alguns outros emergentes exportadores de commodities como Peru e Colômbia, segundo o economista, serão impulsionados pela melhora na economia chinesa e irão se recuperar de forma mais rápida do que emergentes do leste europeu, por exemplo.
O bom cenário para o Brasil nos próximos anos é ornamentado por estimativa de valorização significativa do real, com dólar abaixo de R$ 1,55 em dois ou três anos; Selic em direção a um nível de 6% ou 7% em alguns anos; e PIB crescendo em média 5% a partir de 2010. "Há oportunidades espetaculares no Brasil", avaliou.
Amorim disse que na próxima reunião, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deverá reduzir o ritmo de corte da taxa básica para 0,5 ponto porcentual ou 0,75pp, encerrando o ano ao redor de 9%. "A próxima queda da Selic não será a última. Mas o mais importante é que, mesmo que haja pausa, a queda da Selic irá continuar por alguns anos e teremos um ciclo de expansão de crédito maior do que vimos nos últimos cinco ou seis anos.", comentou.
O economista, no entanto, observou que a remuneração da poupança pode ser um limitador desse processo. "Não faz sentido essa herança dos tempos de inflação alta. Isso precisa ser resolvido", criticou.
Embora espere que o resultado do PIB do 1º trimestre seja "bem ruim", com queda de 4%, Amorim acredita que o segundo semestre já mostrará PIB mais forte. Isso não será o suficiente, segundo ele, para evitar um PIB negativo este ano (sua projeção é de PIB em -0,5%), mas fortalece a estimativa para 2010, de crescimento do PIB ao redor de 5%.
Para os EUA Unidos, Europa e Japão, Amorim disse que 2010 ainda será um ano difícil "porém menos ruim do que 2009", com PIB ficando perto de zero.
Amorim ressaltou que os investidores mais e mais estarão convencidos a vir para Brasil e outros emergentes. Segundo ele, não há porque continuar investindo em títulos norte-americanos. "Comprar títulos dos EUA hoje é loucura. Esses títulos não têm qualidade nenhuma e uma remuneração ridícula", disse Amorim, que voltou a morar no Brasil no ano passado, após vários anos nos Estados Unidos.