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[ 08 de maio de 2009 ]
Hugo Penteado
Economista-chefe da Santander Asset Management

EUA saíram de queda livre; há sinal de estabilização

Por Luciana Xavier e Patricia Lara

Ao que parece, a economia norte-americana pode ter chegado ao fundo do poço e um processo de recuperação mundial começa a aparecer no horizonte, conforme avaliação feita há pouco pelo economista-chefe do Santander Asset Management, Hugo Penteado, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.

"Há sinais claros de que as políticas expansionistas, tanto monetária quanto fiscal, acabaram trazendo um sinal de estabilização dos Estados Unidos. E fora dos EUA há sinais de estabilização da economia global. Acho que isso marca o otimismo do mercado", comentou.

Segundo ele, os dados de desemprego nos EUA, divulgados hoje, reforçam essa avaliação. Penteado disse que os números refletem certa melhora na margem, embora as perspectivas para o mercado de trabalho continuem muito negativas.

A economia norte-americana eliminou 539 mil empregos em abril, o menor corte em seis meses, abaixo da previsão de analistas de 610 mil cortes. Já a taxa de desemprego no país 8,9% em abril, a mais elevada desde setembro de 1983.

"A gente saiu de um cenário de queda livre de atividade, com números surpreendendo para o lado negativo. Agora, estamos vendo claramente alguns resultados das políticas. Os dados têm vindo melhores do que o esperado e isso traz um alento. Muito provavelmente a gente está muito próximo de ter atingido o pior momento da economia mundial", disse o economista.

Câmbio - As perspectivas para o Brasil são positivas e devem favorecer a valorização do real, disse Penteado. "Acabamos de revisar para baixo o câmbio de R$ 2,30 para R$ 2,00 em 2009, em função de várias melhoras e de o Banco Central, inclusive, ter voltado aos leilões de compra", explicou.

Segundo ele, o momento é propício para captações externas. "Claramente há sinais cada vez mais positivos para captação de recursos no Brasil", afirmou. Ontem, o Tesouro Nacional anunciou a reabertura do Bônus Global 2019, nos mercados europeu e norte-americano. Foram emitidos US$ 750 milhões desses papéis com vencimento em 15 de janeiro de 2019. Segundo Tesouro, a demanda para o Global 2019 superou "muitas vezes" a oferta.

Nesse cenário positivo, Penteado espera redução do déficit em conta corrente e do déficit na balança de serviços e melhora dos saldos comerciais na margem, com impulso da China.

"A discussão sobre a China antes era de uma recessão e agora é sobre sua expansão. Houve uma reviravolta grande no cenário. Com essa melhora, há zero de dificuldade no Brasil em relação ao câmbio. Aliás, estamos bastante otimistas com o câmbio", comentou Penteado.

"Se o cenário de estabilização prevalecer no mundo e com continuidade de recuperação da China, claramente não vai haver crise de confiança que afete o comportamento do real. A tendência de apreciação é a mais provável", acrescentou.

O momento também é favorável, segundo ele, para que o Banco Central realize leilões de swap cambial reverso, como ocorreu esta semana. "O BC está em posição extremamente confortável para fazer essas operações. Aquele período de escassez de dólar para financiamento da balança de pagamento desapareceu".

O economista diz já ver recuperação no nível de atividade no Brasil desde janeiro e o revisou projeção para o PIB brasileiro de -1% para -0,5% este ano. "O primeiro trimestre deve mostrar queda do PIB de 1,5%, o segundo trimestre negativo, caracterizando recessão técnica. Mas isso tudo é passado. A economia está se recuperando e deve continuar se recuperando nos próximos meses".

O IPCA para 2009 também foi revisto, de 4% para 3,9%. "Vemos que a capacidade ociosa continua elevada . É preciso lembrar que a economia brasileira responde às reduções de juros muito fortemente e tem demanda reprimida ao contrário das economias maduras, onde já muitos excessos e a resposta já está acontecendo".

Com relação à política monetária, o economista prevê corte de 1 ponto porcentual da Selic em junho e outro de 0,5 ponto em julho, com Selic encerrando o ano em 8,75%. Ele não descarta, porém, a possibilidade de dois cortes de 0,75 ponto nesse mesmo período.

Hugo Penteado disse que o Brasil deve conseguir cada vez mais se descolar do cenário externo para dar início à recuperação da economia. Além disso, avalia que os riscos vindos de fora se mostram menos ameaçadores.

"O risco seria de uma nova rodada de crise de confiança, associada a uma surpresa ligada ao sistema bancário ou financeiro dos EUA ou fora de lá. Por ora, isso parece que não irá acontecer. Os resultados de testes de estresse foram bastante tranquilizadores e a gente não tem muita apreensão em relação a isso", afirmou.

O teste de estresse mostrou que dez das 19 maiores instituições financeiras dos EUA precisarão levantar no total US$ 75 bilhões em capital e para poder enfrentara piora na economia daquele país.

O economista da Santander Asset ressaltou o fato de os bancos terem seis meses para levantar capital junto ao setor privado. "Acho que isso traz tranquilidade enorme para mercado. E algumas instituições financeiras também anunciaram vontade de devolver dinheiro para o governo, fruto do programa de ajuda anterior. E finalmente, existe também em estoque quantidade de recursos para ser utilizado sem necessidade de aprovação no Congresso".

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