áudio > entrevistas
[ 04 de maio de 2009 ]
Álvaro Bandeira
Sócio-diretor da Ágora Corretora

Retomada da bolsa é amparada em fundamentos melhores

Por Luciana Xavier

A retomada da Bolsa no Brasil está sendo amparada por fundamentos melhores, disse, há pouco, o sócio-diretor da corretora Ágora, Álvaro Bandeira. "Há uma reprecificação de ativos absolutamente consistente, acompanhada por uma expansão de volume que pode ser mantida", avaliou. Há pouco, a bolsa paulista subia mais de 5% e beirava os 50 mil pontos.

Em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, Bandeira disse que o mercado acionário deve continuar a ter dias de muita volatilidade e realização de lucros, mas o cenário hoje já é diferente do que era traçado há alguns meses.

Ele ressaltou que o risco Brasil, que serve para orientar o preço alvo das ações, mostra perspectivas melhores para o País e deve ficar este ano ao redor dos 350 pontos-base ante previsão anterior de 420 pb. "A fase é de reavaliação de resultados e projeções e de traçar novos horizontes para 2009", comentou.

O diretor da Ágora afirmou que irá revisar sua projeção para o Ibovespa este ano, depois de serem divulgados os balanços trimestres no Brasil. A estimativa anterior, feita no final de 2008, era de que o índice da Bolsa brasileira fecharia 2009 em 49 mil pontos, patamar em que ela se encontra hoje.

Segundo Bandeira, o momento deve beneficiar as ações de maior liquidez e de empresas cíclicas, como de siderurgia, de petróleo e mineradoras. Empresas ligadas a commodities, frisou, devem sair na frente diante das boas perspectivas de retomada da China. "O reequilíbrio da economia chinesa parece ser mais concreto", disse.

Para ele, a retomada da economia brasileira estará ancorada na recuperação daquele país. Para este ano, Bandeira estima que o PIB brasileiro cairá 0,6%, mas deve ficar positivo em 2010.

Risco - As perspectivas para o mercado doméstico são hoje melhores e os riscos, menores, disse Bandeira. Segundo ele, a economia global deve mostrar certo alívio nos próximos meses, preparando um terreno mais positivo para 2010. O risco, segundo ele, seria de um novo trauma no setor financeiro global, especialmente nos Estados Unidos, mas acredita que esse risco hoje é menor do que se imaginava há alguns
meses.

Tanto que Bandeira acha que o Banco Central deve ser mais cauteloso na condução da política monetária daqui para frente,
reduzindo ainda mais o ritmo de corte de juros. Ele espera mais duas quedas de 0,50 ponto porcentual da Selic neste semestre,
para 9,25% ao ano, ou um movimento ainda "mais diluído", que poderia avançar no início do 2º semestre. "O BC prima pela
prudência e deve fazer uma parada quando a taxa chegar em 9,25%", disse.

Bandeira comentou ainda, logo após a entrevista ao vivo, que o Brasil deve receber a nota grau de investimento pela Moody's e
esse upgrade favorecia mais cortes de juros no futuro. Segundo ele, "a nota pode não vir tão rápido", mas já não resta dúvida de
que está a caminho, especialmente pelo fato de o Brasil estar passando relativamente bem em comparação a outros países por
esse momento de crise global.

[ formatar para impressão ]   » anterior     » próxima  
Copyright © 2012 Agência Estado. Todos os direitos reservados.
Termos de uso

Central de Atendimento: 0800 011 3000